Tenho para mim, que sempre gostei de livros, que estes eram uma forma de viver outras vidas. Os livros passam-se sempre dentro das nossas cabeças... Através do impulso dado pela letras, o nosso cérebro cria imagens. Por isso um livro nunca é igual. Duas pessoas quando lêem o mesmo livro, na realidade estão a criar mentalmente universos semelhantes, mas nunca iguais.
"SOLO SE VIVE UNA VEZ" e para compensar isso foram criados os livros.
Vou, contudo descobrindo, que a realidade transforma a ficção numa amadora, principiante e básica... LOL
Quanto mais vou ouvindo situações e histórias de vida, mais me surpreendo. Ele há cada história que é bem mais complexa, terrifica, apaixonante, etc que qualquer ficção.
Mais do que um leitor de histórias estou a converter-me num escutador de histórias que me maravilham tanto mais quanto mais afastadas do meu viver normal.
Sou claramente um bicho social. Não consigo viver sem pessoas e busco sofregamente histórias novas, pessoas novas para me deslumbrar.
Quanto mais " THE OTHER SIDE OF THE WORLD TO ME" melhor.
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Voltando aos livros...Lembro-me de um filme de ficção cientifica em que a função dos bombeiros, era queimar livros.
A população estava proibida de lê-los e possuiam salas secretas em casa, onde um big brother global não acedia. Havia rusgas a casas dos ditos dissidentes que eram maltratados ou mortos na praça publica enquanto se faziam grandes fogueiras com os livros descobertos.
Aos pouco um dos bombeiros vai questionando o sistema e descobrindo o que se pode aprender e sonhar com eles.
No fim este descobre que há um grupo de dissidentes livres que vive numa "reserva" em que cada um deles tem como objectivo de vida decorar um livro para este não se perder.
Tudo isto para chegar ao facto de que a nossa vida até dava um livro e às vezes tem reviravoltas surpreendentes.
A vida faz-se vivendo.
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
Miacoutando em Miacoutês
Anoitecia. A cacimba vinha caindo na mulata, que roliça passeava mais as nudezas que roupezas, tanto era o calor que fazia naquela tarde bemprazeira de final de Verão. José Lemos Beleza, mais conhecido em Cidade Tigreza, por Ti-Zé LemBê, não era velho babão, mas não resistia a ficar de queixadas caídas sempre que Leolontina Bendita, passava em frente à porta de sua casa.
Lôlô, sabia do efeito que tinha nos homens, mas apesar dos seus 16 anitos, viveu desde os cueiros com sua avô e a sua cabeça era muito madura, embora ainda fosse menina-moça.
Sempre que a via passar, o velho perguntava à dezasseisanista:
- Não se cansa carregando tanta beleza?
- Lôlô respondia: Beleza é que nem doença, ou se morre dela ou esperemos que passe. Com a idade ela vai embora e fica-se curado. Logo quem vai tendo saude vai chegando a velho e vai chegando a feio. E isso é que ser saudavel, por isso vamos ficando mais leves com a idade.
O velho ficava calado enquanto ela ia segundo o seu caminho e ondolava as roliças coxas.
À noite... sonhava com ela.
Nota:
Isto são os efeitos de ter acabado de ler "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"
Para ser mais Miacoutês, tinha que ter mais palavras que não existem nos dicionários, em geral adaptadas de outras existentes mas com terminações diferentes, transformações entre verbos, nomes e adjectivos. Teria também um estrangeiro inadaptado à vida em Africa, muitas frases sentenciosas, daquelas que se ganham com a sabedoria da idade e da contemplação do mundo. Um jogo entre a verdade e a mentira, da qual não saberíamos qual a legitima. Algumas palavras
em dialecto e um ritmo de saborear a vida, que só os africanos têm e nós europeus invejam...
Finalmente uma carga de magia e erotismo, mais ou menos explicito...Fetiche? Isto recorda-me ter ouvido o Júlio Machado Vaz dizer que entre outras coisas que os portugueses deram ao mundo foi a palavra Fetiche. Uma deturpação por parte dos Franceses, Ingleses e Holandeses da palavra FEITIÇO.
Resumindo o Mia Couto também deve ter um fetiche por rapariguinhas... Mais interessante do que isso só a tara do "José Rodrigues dos Santos" pela aluna Sueca. Veja-se o momento "autobiográfico" do "codex..."
Isto são os efeitos de ter acabado de ler "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"
Para ser mais Miacoutês, tinha que ter mais palavras que não existem nos dicionários, em geral adaptadas de outras existentes mas com terminações diferentes, transformações entre verbos, nomes e adjectivos. Teria também um estrangeiro inadaptado à vida em Africa, muitas frases sentenciosas, daquelas que se ganham com a sabedoria da idade e da contemplação do mundo. Um jogo entre a verdade e a mentira, da qual não saberíamos qual a legitima. Algumas palavras
em dialecto e um ritmo de saborear a vida, que só os africanos têm e nós europeus invejam...Finalmente uma carga de magia e erotismo, mais ou menos explicito...Fetiche? Isto recorda-me ter ouvido o Júlio Machado Vaz dizer que entre outras coisas que os portugueses deram ao mundo foi a palavra Fetiche. Uma deturpação por parte dos Franceses, Ingleses e Holandeses da palavra FEITIÇO.
Resumindo o Mia Couto também deve ter um fetiche por rapariguinhas... Mais interessante do que isso só a tara do "José Rodrigues dos Santos" pela aluna Sueca. Veja-se o momento "autobiográfico" do "codex..."
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