A minha avó teria feito 107 ano do dia 16, se fosse viva.
Do pouco tempo que tive a sorte de a ter por perto, recordo o facto de andar sempre agarrado às suas saias. Uma personagem de um Portugal antigo: Baixinha, vestida de preto da cabeça aos pés. Lenço na cabeça, um sorriso maroto e a minha expectativa constante de existir alguma goludiçe escondida... Por vezes, não usava roupa interior, só as saias e os saiotes. Com esta liberdade, quando estava aflita, bastava abrir as pernas e urinava em pé, limpando-se às saias. Outras tantas vezes a minha mãe ralhava com ela pelo hábito não higiénico, mas desculpava-se-lhe a idade, outros tempos outros conceitos.
Era viuva há muitos anos. O marido tinha emigrado para o Brasil em 1929. Segundo a minha mãe, dez dias antes de ela fazer um ano. Deixou-a com 4 filhos, todos crianças. Dele, além das cartas ternas que lhe escrevia, soube-se que faleceu anos mais tarde num rio no estado de São Paulo. Acidente, assasinio, suicidio? Nunca se soube. E da vida que teria tido lá... Teria constituido outra familia, teria tido mais filhos?
Além da ternura que temos sempre pelos avós, que se podem dar ao luxo de apenas acarinhar e proteger, deixando a disciplina para os pais, ficam algumas expressões que sem querer vêm sempre à memória.
Duas delas:
"Não vés? Dá um murro no olho.... que até vês luzes!!!"
"Tens medo? Do cagalhão que está quedo!!!!"
Sorriu por dentro. Saudades
terça-feira, 17 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
....O Camões!
Conversas de Balneário 1
De todos os sítios banais para se terem conversas iluminadas, elejo um que pelo facto dos intervenientes serem masculinos e entre um gel de banho, um desodorizante, um entra e sai do duche, se fala com a roupa que viemos ao mundo... E despidos de tudo menos de presunção há mentes iluminadas que soltam das jóias, muito por delapidar... umas autenticas pedras em bruto, que são as suas mentes, as mais diversas e peremptórias opiniões... Esta situação passou-se há pouco e perceba-se a minha falta de paciência para tanto disparate, as minhas respotas eram de puro gozo, as do outro interveniente eram pra impressionar a plateia e eram ditas como verdades absolutas... veja-se então o caso:
"Este pais é só pagar impostos... as Finanças estão fartas de me enviar cartas para pagar multas, devem ter uma quota nos CTT"
"Ah pois se as enviam é porque tu deves merecer"
"Em Angola é que é bom... vou pedir a nacionalidade"
"Pois pede... ficas cidadão de um país do terceiro mundo"
"Qual quê! Aquilo lá é que é bom! Não se paga impostos"
"Mas pagam-se muitas luvas. É muito corrupto e à custa dessa corrupção há grandes fortunas é o resto da população"
"Lá a corrupção é democrática, os angolanos não são pobres, gostas é de viver naquelas casas como se vivessem em barracas mas têm carradas de dinheiro, veja-se os putos que andas a limpar vidros dos carros nas ruas, ganham 300 Dólares por dia"
Aqui confesso que tive um choque cerebral por um milésimo de segundo e embora não vivendo em Angola, tenho amigos em Luanda e estou como o outro.... "olhe que não Sr arquitecto, olhe que não!"... Ainda lhe disse que o que achava efectivemente é que aquilo era um oligarquia criminosa e corrupta,,, mas não valia a pena insistir com tal mente iluminada...
"Este pais é só pagar impostos... as Finanças estão fartas de me enviar cartas para pagar multas, devem ter uma quota nos CTT"
"Ah pois se as enviam é porque tu deves merecer"
"Em Angola é que é bom... vou pedir a nacionalidade"
"Pois pede... ficas cidadão de um país do terceiro mundo"
"Qual quê! Aquilo lá é que é bom! Não se paga impostos"
"Mas pagam-se muitas luvas. É muito corrupto e à custa dessa corrupção há grandes fortunas é o resto da população"
"Lá a corrupção é democrática, os angolanos não são pobres, gostas é de viver naquelas casas como se vivessem em barracas mas têm carradas de dinheiro, veja-se os putos que andas a limpar vidros dos carros nas ruas, ganham 300 Dólares por dia"
Aqui confesso que tive um choque cerebral por um milésimo de segundo e embora não vivendo em Angola, tenho amigos em Luanda e estou como o outro.... "olhe que não Sr arquitecto, olhe que não!"... Ainda lhe disse que o que achava efectivemente é que aquilo era um oligarquia criminosa e corrupta,,, mas não valia a pena insistir com tal mente iluminada...

Já que amanhã é dia... que tal ir chatea-lo... ao Camões!!!
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terça-feira, 27 de maio de 2008
A Terra do(s) Pai(s)
Conhecemos os nossos pais, desde sempre, mais pelos afectos.Só tardiamente, e se alguma vez o chegamos a fazer, analisamos de forma imparcial os seres humanos que temos pela frente... A sua grandeza as suas qualidades, os seus defeitos e fraquezas. Uma vez que os meus não são população autóctone da terra onde nasci e cresci, sempre senti curiosidade de conhecer a(s) terra(s) dele(s). Os cenários das estórias de infância e juventude que ouvia. Apesar de não ter crescido num meio urbano, a terra deles era ainda mais longínqua e interior, mais pobre... Estou a falar numa infância/adolescência passadas nas décadas de 20/30 do século passado. Estou a falar de gentes muito humildes, o que me transporta para vidas de pobreza, mas de pobreza feliz que não encontro nos dias de hoje.
Tudo isto para falar na terra deles. Nunca lá fui em miúdo... só há 5 anos lá fui pela primeira vez.
Tive sempre a sensação que ao ver as pessoas, os sítios os podia associar e finalmente percebe-los melhor e em ultima analise perceber-me também.
Um destes dias podiam descobrir que os locais de origem alteram os genes, por osmose, por absorção ou por outro processo... Seria como se essa mutação genética me fosse transmitida... mesmo que nunca lá tivesse ido... uma parte de mim era explicada pela geologia dos locais onde viveram os meus progeni... pais e avós e por ai abaixo até às raízes mais fundas da minha arvore genealógica...
terça-feira, 13 de maio de 2008
O(s) génio(s) que não bate(m) bem da bola.
Ou A BESta que nunca foi BEStialSempre pensei como seria bom encontrar uma lâmpada, com um génio lá dentro e poder pedir 3 desejos... e, fazendo batota, um desejo seria ser ter sempre mais outros 3. Ter mais olhos que barriga. As histórias deste tipo são sempre moralista e quem pede acaba por não pedir o mais importante, pedindo apenas futilidades...
Ia eu embalado nesta fantasia, quando vi o anúncio de um certo Banco com um certo de jogador de Futebol. Acreditem que o meu imaginário foi destruido. O Sr, apesar do acne juvenil, lá sabe muito bem jogar à bola. Tomara eu pagarem-me o que lhe pagam... mas saiu mesmo bronco o génio... mas também o BEStial banco, tem o que merece e o que merecia mesmo a fuga maciça de clientes, face à lamentável, e desnecessária (digo eu) desmarcação, feita nestes dias quando um cantor conhecido por organizar concertos de solidariedade, acusou os governantes de um certo pais africano de serem um bando de criminosos.
Não é novidade nenhuma que o são. Não é novidade nenhuma que os interesses económicos se sobrepõem à falta de vergonha...Onde é que está o nosso primus inter pares? O nosso Filósofo da propaganda? Aqui ficam a metade dos meus desejos (um desejo e meio): o primeiro seria que houvesse principios para acabar com a pouca vergonha das vénias ao vil metal; o meio desejo seria que achassem um génio com metade da buçalidade do do tal anúncio.
Pois, estamos mesmo no reino da Fantasia e das histórias de faz de conta.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
O Desejo

Por ti anseio, quero estar no teu enleio.
Absorver-te nos meus braços, conhecer-te todos os espaços.
Percorrer tuas costas, morder-te o pescoço e por detrás,
Mostrar-te tudo o que sou capaz.
Adorar-te os pés, chupa-los de lés a lés.
Olhar teu corpo inteiro, sentir à vez cada seio
Beijar-te por todo o lado e ficar-me no meio
Demorar-me ai... Lábios nos lábio com trabalhos de linguas sábios
Estimular-te até ao completo devaneio.
Tocares-me e sentires-me quando falo: Fá-lo ao falo!
O meu extremo quer ocupar o teu espaço,
Completa-lo como a maré, seja deitado, por cima ou por baixo, em pé...
Sentir-te fêmea, sentires-me macho mas quando acabar ficar apenas no teu regaço.
Depois do feito não é nada complexo... É sempre bom fazê-lo e nunca ter falta de ...nexo.
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Desejo
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